Custo da energia solar pode igualar fontes convencionais
A gigante informática norte-americana IBM está a desenvolver uma tecnologia solar cujo custo por Watt poderá ser comparado com o preço das fontes convencionais, como o carvão e o gás natural, revelou à Agência Financeira o cientista do projecto.
«Esta nova célula solar tem potencial para competir com as fontes convencionais, sobretudo porque os materiais utilizados existem em grande abundância na superfície da terra», afirmou David Mitzi, que sublinha ser este o desafio de qualquer investigador de renováveis.
Cobre, zinco ou enxofre, são estes os materiais necessários para constituir esta célula solar da IBM, ou seja, fontes que se encontram, por exemplo, num jardim. Até aqui, na constituição de painéis solares, eram utilizados elementos raros como índio ou cádmio.
Tecnologia já tem eficiência 40% superior aos últimos avanços
Mas, além de mais barata, o investigador garante que esta tecnologia também é mais eficaz na forma como capta a luz, e representa um grande avanço face aos últimos progressos. «Esta partícula tem uma eficiência de 9,6%», 40% superior ao conseguido anteriormente. No entanto, David Mitzi realça que ainda há um longo caminho a percorrer e não se atreve a avançar com uma data para a sua comercialização. «Esta investigação só começou há nove meses. Primeiro, precisamos conseguir uma eficiência de, pelo menos, 12 ou 14% e trabalhar em grandes áreas», referiu.
Aliás, a IBM tem apenas a «solução química», pelo que vai precisar de parceiros que trabalhem nas outras frentes de produção e que comercializem, por fim, os painéis solares. Para já, a gigante de tecnologia garantiu à AF que não está em conversações com nenhuma empresa.
Quanto a Portugal, com as suas vantagens e avanços nas energias renováveis, servir como plataforma para divulgação da descoberta, Mitzi considera prematuro falar nesse sentido, ainda que admita passar por Portugal para eventuais conferências ou «workshops» sobre o tema.
Apoios do Estado ao programa solar deste ano ascendem a 50 milhões
O Governo dedicou 50 milhões de euros ao programa de painéis solares térmicos deste ano, uma verba que sobra dos 95 milhões comprometidos e não totalmente executados no ano passado.
“Os 95 milhões de euros contemplados em 2009 não foram esgotados, embora houvesse lugar a encomendas suficientes para tal. Em 2010, foi contemplada a verba comprometida e não executada em 2009. Cerca de 50 milhões de euros e não haverá, no Orçamento de Estado de 2010, reforço de verba”, disse fonte oficial do Ministério da Economia.
Por outro lado, o programa – que terminou o ano passado com 38 mil painéis solares encomendados – deverá terminar este ano com 50.500 painéis instalados.
“No total do programa, as instalações estimadas corresponderão a mais de 200 mil metros quadrados de painéis solares”, acrescentou.
O Programa Solar Térmico 2009, da iniciativa do Ministério da Economia e da Inovação e do Ministério das Finanças, era válido até final do ano passado, traduzindo-se na comparticipação pelo Estado de 50 por cento do investimento total nos painéis solares. O Governo decidiu alargar o programa a este ano, mas até agora desconhecia-se o montante das ajudas estatais.
No âmbito do programa, o Estado comparticipa, de forma imediata, um valor fixo de 1641 euros e concede benefícios fiscais de 30 por cento do custo do investimento em sede de IRS, num máximo de 796 euros.
Por outro lado, os nove bancos associados ao programa (Banco Popular, Banif, BES, BPI, Caixa Geral de Depósitos, Crédito Agrícola, Millenium bcp, Montepio e Santander) também asseguram cem por cento de financiamento num crédito pessoal com condições que incluem uma taxa de juro de 1,5 por cento mais Euribor a 3 meses.
Das 55 marcas que participam na instalação de painéis ao abrigo deste programa, a mais solicitada até agora foi a Vulcano, do Grupo Bosch, com fábrica em Aveiro. A segunda foi a Norquente, com fábricas em Portugal e capital cem por cento português, indicam os dados mais recentes da tutela. Do total de marcas, 14 fabricam material em Portugal e representam quase dois terços (64 por cento) do número total de encomendas.
Norte-americana Solar Power entra em Portugal
A empresa norte-americana Solar Power, da Califórnia, irá em breve colocar em Portugal a sua linha de soluções de energia solar para clientes domésticos e empresariais, fruto de um acordo com a espanhola Annerher, de Barcelona.
A Solar Power, empresa fundada em 2005 e que tem apostado na gama de soluções Yes! Solar Power, firmou com a Annerher um acordo para que esta última seja a sua representante para a Península Ibérica.
A Annerher começará a disponibilizar os produtos da Solar Power na rede de revendedores que já tem, mas o objectivo do acordo agora anunciado é reforçar o número de pontos de venda.
“A Annerher tem uma rede de distribuição para os nossos produtos robusta e em crescimento. Mas mais importante é que as tarifas subsidiadas nos mercados espanhol e português oferecem oportunidades de crescimento significativas nos segmentos residencial e de pequenos negócios para ambas as empresas”, comentou o responsável de desenvolvimento de negócios da Solar Power, Bradley Ferrell, em comunicado.
A empresa espanhola que irá trazer os produtos da Solar Power para o mercado ibérico já instalou desde 2004 mais de 73 megawatts (MW) de potência fotovoltaica.
Em Portugal existem já dezenas de marcas de equipamentos de energia solar para os consumidores residenciais e cerca de várias centenas de empresas de instalação. O portal “Renováveis na Hora” contabiliza como equipamentos licenciados para instalações de microprodução 25 marcas diferentes, desde a SMA Solar Techonology à Siemens, passando pela Schneider Electric, Mastervolt e Conergy, entre outras.
