Protótipo de central solar termoeléctrica

A Siemens vai testar em Portugal, em parceria com a EDP Inovação e a Universidade de Évora, um protótipo de central solar termoeléctrica que utiliza o sal fundido como meio de transferência de calor.

O protótipo foi hoje apresentado na primeira conferência anual da associação Energyin – Pólo de Competitividade e Tecnologia da Energia, que está a decorrer em Viseu.

João Festas, responsável na Siemens pela área de negócios das energias renováveis e pelo acompanhamento de novas tecnologias da energia, explicou à agência Lusa que a tecnologia que existe actualmente “usa um óleo térmico para fazer o aproveitamento de calor do sol e depois usa sal fundido para fazer armazenamento de energia térmica”.

O protótipo que vai ser testado em Évora “vai usar já o sal fundido a circular no campo solar para ser directamente o sal fundido a obter a energia térmica do sol, evitando um meio de permutação de calor”, acrescentou.
Segundo o responsável, a vantagem é que “o sal fundido permite aumentar muito a temperatura do sistema”, uma vez que “o óleo térmico tinha uma limitação de 400 graus, porque depois vaporizava e a pressão criada destruía os sistemas do campo solar”.

Ao conseguirem atingir-se “temperaturas mais altas com o sal, a eficiência do sistema subirá bastante e o preço da energia baixará”, frisou.

O protótipo representa um investimento total de cerca de cinco milhões de euros, comparticipado pelo ministério do Ambiente alemão.
Segundo João Festas, será o primeiro a ser testado em Portugal e o segundo em todo o mundo, uma vez que a Siemens tem uma participação na empresa Archimede Solar Energy, que já tem um protótipo em Itália.

A Universidade de Évora começará em Maio a terraplanar o terreno e, no mesmo mês, a EDP Inovação vai disponibilizar água, electricidade e todas as utilidades necessárias.

“A partir de Junho começaremos a entrar no terreno, com a construção civil das sapatas para receber depois os colectores solares. Pensamos que até Dezembro a fase de construção estará terminada e depois seguir-se-ão três anos de experiências com o protótipo”, avançou.

João Festas admitiu estar “com grandes expectativas”, até porque será também possível “testar vários tipos de sal”, uma vez que cada um tem o seu ponto de fusão “e permite evitar o congelamento do sistema a temperaturas mais baixas”.

Em Évora será instalado “um loop, ou seja, um sistema de parabólicas e de espelhos que, todo seguido, permite obter as temperaturas adequadas à entrada e saída” do sistema.

“Vamos construir um loop completo para poder testar as temperaturas de operação já como se fosse uma central comercial”, explicou, acrescentando que terá cerca de 350 metros de comprimento.

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