Quercus elogia certificação energética e água quente solar em 2009

O fracasso das negociações em Copenhaga e o aumento do consumo de electricidade são alguns dos piores factos ambientais de 2009, segundo um balanço da Quercus, que elogia a certificação energética dos edifícios e a água quente solar.

Num balanço ambiental feito relativo a 2009, a Quercus – Associação Nacional de Defesa da Natureza diz que o pior neste ano foram as negociações da conferência mundial sobre o clima, em Copenhaga, que terminaram sem objectivos claros e definições de metas concretas, bem como o consumo de electricidade que, embora tenha vindo a diminuir, continua a crescer acima do Produto Interno Bruto.

A falta de tratamento dos solos contaminados e de uma fiscalização regular tem permitido o perdurar da deposição ilegal de resíduos em todo o país, e a água dos rios continua a apresentar má qualidade (38% só em 2008).

O avanço da Barragem do Sabor em Rede Natura, enquanto não são decididos os processos judiciais em curso, e o abate dos sobreiros na zona de construção da urbanização “Nova Setúbal” levam também nota negativa dos ambientalistas.

A Quercus aponta ainda níveis elevados do poluente ozono troposférico em 2009, que continua a ser desconhecido das populações, e a degradação dos recursos hídricos e da biodiversidade, como consequência da aposta no Programa Nacional de Barragens.

Quanto aos factos mais positivos de 2009, a Quercus destaca a aposta na água quente solar, que este ano teve o Governo a financiar 50 por cento do custo da aquisição dos painéis, acrescidos de 30 por cento em benefícios fiscais, e o sistema de certificação energética dos edifícios, que considera “um exemplo a nível europeu”.

A expansão do tratamento mecânico e biológico, que permite reciclar até 60 por cento de resíduos urbanos indiferenciados, e a inauguração do centro nacional de reprodução do lince-ibérico são outros dois aspectos positivos de 2009.

Para 2010, a Quercus aponta como prioridades a obrigação de integrar materiais reciclados em obras públicas, a aposta na certificação florestal, o incentivo à microgeração de energia eléctrica a partir de fontes renováveis ou a eliminação dos regimes de excepção que têm permitido aprovar determinados projectos.

Uma vez que 2010 foi considerado pelas Nações Unidas como o ano da biodiversidade, a Quercus defende a tomada de medidas concretas que preservem a natureza e a biodiversidade.

A racionalização dos grandes investimentos em obras públicas e a necessidade de incluir no Código Penal a figura do crime urbanístico para combater “um dos mais graves problemas ambientais” do país, o mau ordenamento do território, são as outras prioridades dos ambientalistas para o ano que entra.

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