Energia solar cria 1900 novos empregos

O projecto está relacionado com a energia solar e vai criar 1.900 postos de trabalho. Está tudo pronto, e assinado, para levar avante o protocolo de cooperação na área da formação entre o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) e a empresa RPP Solar. Abrantes vai poder contar com um Projecto Integrado de Energia Solar (PIES).

A ideia é estabelecer as bases de cooperação em termos de recrutamento e formação dos quase 2 mil trabalhadores a contratar, «com formação profissional à medida». A parceria prevê ainda um consenso quanto à utilização das medidas governamentais de apoio ao emprego, «enquanto instrumentos de suporte à criação de emprego e ao combate ao desemprego».

Com recrutamento de base local e regional, a RPP Solar vai receber 128 milhões de euros de incentivos, ao abrigo do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN). Do total, 58 milhões são incentivos financeiros e os restantes 70 milhões incentivos fiscais.

Para já vão ser contratados 670 colaboradores. Mas como a iniciativa conta com cinco fases, duas em 2010, outras duas no próximo ano e a última em 2012, serão admitidos, no total, 1.900 trabalhadores. A última fase conta com um investimento de 400 milhões de euros.

Produção arranca em Julho

O secretário de Estado do Emprego e Formação Profissional esteve presente na assinatura do protocolo, tendo realçado a «importância e dimensão» do projecto PIES para aquela região do interior do país. Valter Lemos aproveitou ainda para rejeitar o «pessimismo» que «está na moda», dizendo que «a imprensa não dá conta das coisas boas que acontecem, até parecendo que é proibido das boas notícias».

A fábrica de painéis foto voltaicos, vocacionada para a exportação, está instalada em Pego, Abrantes, num terreno com 82 hectares. A produção vai arrancar em Julho. Não faltam expectativas quanto ao sucesso da empresa: a meta é ser «a maior do sector nacional e uma das maiores da Europa e do Mundo». Até porque a RPP Solar já tem na manga contratos assinados com Espanha, Itália, Alemanha e «outros oito em fase final de assinatura», como o Japão e a China, afirmou o empresário e promotor do projecto.

aposta é exportação

Alexandre Alves garantiu ainda que «os contratos assinados permitem dizer que já temos tudo vendido e o produto vai ser todo escoado a partir de Abrantes numa lógica patriota e de aposta na exportação». As estimativas apontam para «1700 camiões por ano, com 600 painéis cada, a carregarem painéis para toda a Europa».

O protocolo assinado esta segunda-feira contou com a presença do promotor do investimento, Alexandre Alves, do presidente do IEFP, Francisco Madelino, e do secretário de Estado do Emprego e Formação Profissional, Valter Lemos.

Alargamento da Dedução à Colecta com Equipamentos de Eficiência Energética

Importante também no capítulo do aprofundamento da reforma fiscal ambiental é o alargamento da dedução à colecta do IRS dos encargos suportados pelos contribuintes individuais com equipamentos de eficiência energética.

A par das deduções à colecta dos encargos com imóveis, o artigo 85.º do Código do IRS contempla actualmente deduções à colecta com equipamentos de energias renováveis, introduzidas pela primeira vez no articulado do Código ao ano de 2001.

Estas deduções abrangem, na sua redacção actual, a aquisição de equipamentos novos para utilização de energias renováveis e de certos equipamentos para a produção de energia eléctrica ou térmica por microturbinas e equipamentos complementares, bem como a aquisição de veículos sujeitos a matrícula exclusivamente eléctricos ou movidos a energias renováveis não combustíveis. Em virtude da Lei do Orçamento do Estado para 2009, estas deduções passaram a ser cumuláveis com as que respeitam aos encargos com imóveis, o que contribuiu para o seu aproveitamento mais efectivo pelos contribuintes.

O Programa do XVIII Governo Constitucional não apenas se compromete com o aprofundamento da reforma fiscal ambiental mas também assume como objectivo para o País o de se tornar líder no processo da revolução energética, adoptando, entre outras medidas, incentivos à melhoria do comportamento energético das habitações.

É neste contexto que a Proposta de Lei do Orçamento do Estado para 2010 vem proceder a um alargamento destas deduções aos equipamentos e obras que contribuam para a melhoria das condições de comportamento térmico de edifícios, de que serão exemplo a instalação de vidros duplos em habitações ou o isolamento de telhados. Com esta medida pretende-se reforçar o estímulo directo aos contribuintes na realização de despesas que, além de possuírem retorno financeiro a longo prazo para os próprios contribuintes, conduzem também à redução da factura energética do País como um todo.

Do ponto de vista formal, todo este conjunto de deduções respeitantes ao ambiente e energias renováveis passa a constar de artigo próprio, o artigo 85.º-A do Código do IRS, dada a autonomia que hoje apresentam face às deduções de encargos com imóveis, com isto resultando também sublinhada na sistematização do Código a vinculação deste imposto às modernas preocupações extrafiscais do clima e da energia. Por forma a evitar abusos e garantir que esta despesa fiscal se distribui por número tão amplo de contribuintes quanto possível, estabelece-se a regra de que o aproveitamento de cada uma das deduções não pode ser feito pelos contribuintes mais que uma vez por cada quatro anos.

Custo da energia solar pode igualar fontes convencionais

A gigante informática norte-americana IBM está a desenvolver uma tecnologia solar cujo custo por Watt poderá ser comparado com o preço das fontes convencionais, como o carvão e o gás natural, revelou à Agência Financeira o cientista do projecto.

«Esta nova célula solar tem potencial para competir com as fontes convencionais, sobretudo porque os materiais utilizados existem em grande abundância na superfície da terra», afirmou David Mitzi, que sublinha ser este o desafio de qualquer investigador de renováveis.

Cobre, zinco ou enxofre, são estes os materiais necessários para constituir esta célula solar da IBM, ou seja, fontes que se encontram, por exemplo, num jardim. Até aqui, na constituição de painéis solares, eram utilizados elementos raros como índio ou cádmio.

Tecnologia já tem eficiência 40% superior aos últimos avanços

Mas, além de mais barata, o investigador garante que esta tecnologia também é mais eficaz na forma como capta a luz, e representa um grande avanço face aos últimos progressos. «Esta partícula tem uma eficiência de 9,6%», 40% superior ao conseguido anteriormente. No entanto, David Mitzi realça que ainda há um longo caminho a percorrer e não se atreve a avançar com uma data para a sua comercialização. «Esta investigação só começou há nove meses. Primeiro, precisamos conseguir uma eficiência de, pelo menos, 12 ou 14% e trabalhar em grandes áreas», referiu.

Aliás, a IBM tem apenas a «solução química», pelo que vai precisar de parceiros que trabalhem nas outras frentes de produção e que comercializem, por fim, os painéis solares. Para já, a gigante de tecnologia garantiu à AF que não está em conversações com nenhuma empresa.

Quanto a Portugal, com as suas vantagens e avanços nas energias renováveis, servir como plataforma para divulgação da descoberta, Mitzi considera prematuro falar nesse sentido, ainda que admita passar por Portugal para eventuais conferências ou «workshops» sobre o tema.

Energia solar a África

Um grupo de 20 consórcios alemães, entre os quais se encontram a Siemens, a eléctrica RWE e o Deutsche Bank, estão a estudar a viabilidade de um projecto gigante no deserto do Saara para produzir energia solar térmica com destino ao Norte e Centro da Europa.

O projecto, apoiado pelo governo alemão, envolve negociações com vários países do Norte de Africa e está aberto a outros sócios europeus, sobretudo espanhóis e italianos, noticia o Expansión.

A construção do projecto implica um investimento de 400 mil milhões de euros em dez anos. Do total do montante, 350 mil milhões destinam-se à implementação de centrais térmicas solares que podem ocupar um espaço de 3.600 quilómetros quadrados. O restante valor será canalizado para criar redes para transportar energia para o Norte da Europa.

A meta é colocar esta unidade gigante a produzir 15% de toda a energia anual consumida na Europa.