Qimonda Solar pediu insolvência após anúncio de salvação

Neste momento há duas Qimondas com processos de insolvência a decorrer no Tribunal de Vila Nova de Gaia. Depois da Qimonda Portugal, que fabrica memórias para computador, a Itarion Solar, conhecida por Qimonda Solar, também avançou com processo idêntico, na sequência do fracasso da iniciativa governamental para salvar o projecto, revela a edição desta segunda-feira do «Público».

Os processos de insolvência são distintos e a duas empresas também não têm ligação accionista directa. A Itarion Solar é detida pelas alemãs Qimonda AG – que se encontra em processo de liquidação na Alemanha e é a detentora do capital da Qimonda Portugal – e pela CentroSolar.

O Projecto Itarion, que envolveria um investimento de 150 milhões de euros, considerado de interesse estratégico, já tinha sido iniciado, com a construção parcial de um edifício em terrenos da Qimonda Portugal e tinha 15 trabalhadores associados, quase todos quadros superiores.

Ainda de acordo com o mesmo jornal, o pedido de insolvência da Itarion Solar, a designação oficial da empresa, aconteceu pouco depois de o Governo ter anunciado a salvação do projecto através da constituição de um consórcio liderado pela EDP, e que incluía as capitais de risco públicas e ainda um número alargado de empresas e instituições financeiras (DST, Visabeira, Inovcapital, BPA, BES e BCP), prometendo-se criar 400 postos de trabalho para produzir células fotovoltaicas. Quase dois meses depois da solução patrocinada pelo Governo e que consistia na compra dos 51 por cento que a Qimonda AG tinha no projecto, as negociações fracassaram com o parceiro alemão, a Centrosolar, que tinha os restantes 49 por cento. Nessa altura, foi anunciado que o consórcio luso-angolano avançaria sozinho, já para um projecto menor, de construção de células fotovoltaicas e de criação de 200 postos de trabalho, o que não aconteceu.

Depois do fracasso das negociações com a Centrosolar, as autoridades portuguesas deixaram cair o projecto de recuperação deste negócio. Entretanto, nenhum outro plano concreto apareceu.